Se há um compromisso desde os gregos em relação à política, trata-se de compromisso com a verdade. Muito se fala ultimamente em batalha de narrativas, o que aponta para um descompromisso com a verdade. Ou seja, mais importante do que a essência dos fatos é o modo como são veiculados. Os atos do 8 de janeiro de 2023 revelam inúmeras questões, mas principalmente uma miopia ou, às vezes, má fé por parte de determinados grupos políticos. Toda essa batalha de narrativa ensejou um forte apoio ao ministro Alexandre de Moraes que passou a agir como um monarca de toga. Não se fala, no entanto, da crise política que acomete o país e que compromete a legitimidade de suas instituições, inclusive o próprio Supremo Tribunal Federal (STF) que exorbita de seus poderes. Por trás do rigor da lei há um tecido social esgarçado, o qual não será resolvido pela Lei, a menos que ela lance mão de seus dispositivos de punição. Os ideólogos de esquerda apelam reiteradamente ao contexto social a fim de absolver este ou aquele personagem cujos atos tenham sido contrários ao imperativo da Lei, sendo que ao lançarem mão desse recurso evocam as condições sociais e os princípios dos direitos humanos.