O Brasil registrou em 2025 o maior número de pedidos de recuperação judicial de sua história recente. À primeira vista, o dado parece apenas confirmar um cenário econômico adverso. Mas quem acompanha de perto os processos de reestruturação empresarial sabe que a explicação é mais profunda. O problema central não é somente a crise econômica. É, sobretudo, a ausência de governança e de organização financeira mínima nas empresas que recorrem ao Judiciário. Em teoria, a recuperação judicial é um instrumento poderoso. Criada para permitir que empresas viáveis reorganizem suas dívidas e preservem sua atividade econômica, ela funciona como um mecanismo de negociação coletiva entre devedor e credores. Na prática, porém, muitos processos começam já comprometidos. Empresas chegam à Justiça sem fluxo de caixa estruturado, sem demonstrações financeiras confiáveis e sem qualquer planejamento que sustente a promessa de recuperação.