A violência contra as mulheres, relatada e retratada cotidianamente, acena uma face doente da nossa sociedade. Algo que, o tempo, a evolução civilizatória já poderiam ter curado, tornado cicatriz de tão antigo, que a história já teria ensinado a ressignificar; mas ao contrário, como demonstram os indicadores, civilidade e gentileza escapam à compreensão de um porcentual importante do censo oficial. Vale lembrar que “feminicídio” é apenas um eufemismo, ou seja, expressão que suaviza o termo técnico correto: homicídio, semelhante que mata semelhante. Números do Fórum Brasileiro de Segurança Pública de 2024, sobre feminicídio, divulgados em 2025 no 190 Anuário, mostram uma corriqueira brutalidade doméstica. Com um preocupante crescimento dessa violência: 15 mulheres são atacadas diariamente, 4 morrem. 1492 vítimas fatais; além de 3.870 notificações por tentativa. 64,3% foram mortas em casa. 63,6% são negras, 70,5% entre 18 e 44 anos. 97% dessas mulheres foram mortas por homens.