O avanço do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, após mais de 25 anos de negociações, vai muito além de um entendimento comercial. É um sinal claro de reposicionamento político e econômico. O Brasil ocupa hoje um papel central na segurança alimentar global, e o acordo apenas explicita essa realidade. O tratado prevê a redução ou eliminação de tarifas para a maior parte do comércio entre os blocos. No agro, porém, o avanço ocorre com cautela. A União Europeia manteve quotas para produtos sensíveis como carnes, açúcar e etanol, deixando claro que, apesar do discurso de livre comércio, ainda há receio diante da competitividade brasileira. Na carne bovina, por exemplo, ficou definida uma quota anual com tarifa reduzida, enquanto volumes adicionais seguem sujeitos a taxas mais elevadas. O mesmo modelo se aplica ao etanol, dividido entre uso industrial e combustível, e ao açúcar. São concessões relevantes, mas cuidadosamente calibradas para proteger produtores europeus.