A escalada das tensões no Oriente Médio, especialmente entre Estados Unidos e Irã, produz efeitos sobre o agronegócio. Quando crises militares atingem regiões estratégicas para o comércio internacional, o impacto não fica restrito ao petróleo. Ele chega ao campo por meio da alta dos custos, da instabilidade logística, da volatilidade dos preços e do aumento da insegurança contratual. Um dos exemplos mais sensíveis é o Estreito de Hormuz, rota fundamental para o transporte global de petróleo e outras mercadorias. Quando essa região passa a operar sob restrições, com embarcações paradas, registros de danos e redução da cobertura de risco de guerra por seguradoras, o efeito é imediato. O frete sobe, o seguro encarece, algumas rotas se tornam menos competitivas e outras deixam de ser viáveis. Esse é o primeiro grande canal de impacto no agro: energia, frete e seguro. A cadeia reage com desvio de rotas, reprogramação de embarques, renegociação de contratos e atrasos sucessivos. Para o produtor rural, isso se traduz em aumento do custo fora da porteira e em incerteza. Não se sabe com segurança quando o insumo vai chegar nem em que condições a produção será escoada.