Conta-se que, ameaçado de desapropriação pelo rei da Prússia, um moleiro se insurgiu: “ainda existem juízes em Berlim”. A frase virou símbolo de uma civilização que via no Judiciário o último bastião contra o arbítrio. No Brasil de 2025, ela ressurge, não como esperança, mas como amarga interrogação. Recentemente, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e seus familiares tiveram vistos suspensos por autoridades estrangeiras. O silêncio foi quase total. Naturalizou-se o anormal. Alguns comemoraram. Outros fingiram indiferença. Mas importa e muito. A suspensão não é apenas retaliação diplomática. É atestado internacional do colapso interno da autoridade institucional do Judiciário brasileiro. O STF, antes guardião da Constituição, passou a ser tratado como grupo político, como inimigo. O desprestígio é doméstico. Criou-se um ambiente onde se ataca ministros como criminosos togados, reduzindo a Corte a um “partido judicial”, incentivando o desacato e pregando a desobediência como forma de resistência civil. Mas esse roteiro institucional já foi visto e o desfecho não foi feliz.