O Brasil está diante de uma decisão que pode definir o futuro de centenas de milhares de adolescentes e jovens. Depois de sete anos de debates, o Estatuto do Aprendiz chegou ao Senado com o propósito de modernizar uma legislação que, há mais de duas décadas, transforma vidas por meio da inclusão produtiva. No entanto, emendas apresentadas durante a tramitação do projeto ameaçam reduzir drasticamente o alcance dessa política pública. O Estatuto do Aprendiz não cria novas obrigações para as empresas, tampouco amplia a quantidade de vagas exigidas. Seu objetivo é atualizar regras criadas em 2000, trazendo mais segurança jurídica e eficiência para a aplicação da Lei da Aprendizagem. O problema está nas propostas que ampliam as hipóteses de exclusão de trabalhadores da base de cálculo da cota de aprendizagem. Na prática, isso significa diminuir o número de aprendizes que as empresas precisarão contratar. Com base em dados do Novo Caged, especialistas estimam que cerca de 400 mil vagas poderão deixar de existir. Hoje, o Brasil conta com aproximadamente 717 mil jovens aprendizes. Trata-se de um impacto sem precedentes.