O editorial do Estadão (26/09/26) — A Teia de Daniel Vorcaro no Judiciário —, aborda o que já havíamos manifestado, em artigo, neste mesmo O Popular, ao revelar uma engenharia complexa, cuja engrenagem dependia de algo bem mais mundano: a ganância e a vaidade de servidores públicos, de políticos e de magistrados cooptados. Festas nababescas, jatinhos, hotéis de luxo e contratos milionários com parentes de juízes não eram generosidade. Eram o lubrificante de um esquema que inflava precatórios e direitos creditórios sem valor real, transformando-os em lastro para CDBs bilionários e perdas de dezenas de bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos e à União. Assim, a analogia com Jeffrey Epstein é inevitável. O financista americano construiu uma rede global de influência que atravessava políticos, acadêmicos, empresários e membros de famílias reais. Não dependia apenas de dinheiro ou de crimes sexuais. Dependia da mesma psicopatologia: a capacidade de explorar a vaidade e a ganância da elite.