A obesidade no Brasil vai além de uma doença isolada e deve ser compreendida como um marcador de um fenômeno mais amplo: a redução progressiva do autocontrole em um ambiente caracterizado por estímulos constantes ao consumo e pela valorização da gratificação imediata. Nesse cenário, o comportamento alimentar não pode mais ser atribuído exclusivamente à responsabilidade individual, passando a refletir a influência direta de fatores ambientais que modulam, de forma consistente, as escolhas alimentares. Em menos de duas décadas, a prevalência de obesidade no Brasil mais que dobrou, passando de 11,8% em 2006 para 25,7% em 2024. Atualmente, cerca de seis em cada dez adultos apresentam sobrepeso e obesidade. Esses dados não refletem apenas uma alteração no perfil antropométrico da população, mas evidenciam uma transformação significativa no ambiente alimentar.