O avanço acelerado das apostas esportivas no Brasil superou definitivamente a esfera do mero entretenimento ou do debate estritamente regulatório. Trata-se de um fenômeno macroeconômico com impacto direto e imediato no orçamento doméstico, na taxa de poupança nacional e no planejamento financeiro de longo prazo dos trabalhadores. Quando uma fatia expressiva da renda das famílias é drenada de forma recorrente por mecanismos de altíssimo risco, os desdobramentos negativos não se limitam ao presente: atingem a capacidade de consumo, aceleram o endividamento e, inevitavelmente, aniquilam a segurança previdenciária das futuras gerações. Dados da 3ª edição do Boletim Fiscal dos Estados Brasileiros, elaborado pelo Comsefaz em parceria com o Centro Internacional Celso Furtado, mostram a dimensão do problema. Em 2025, as transações via Pix destinadas às bets chegaram a R$ 350,97 bilhões.