Nos anos 1990, a hiperinflação parecia um problema insolúvel. O Plano Real mostrou que, com mobilização coletiva e disciplina institucional, é possível mudar o rumo da história. Hoje, o país não enfrenta mais a corrosão diária da moeda, mas uma tríade de dilemas que marcará as próximas duas décadas: a dívida pública em trajetória preocupante, a produtividade estagnada e o envelhecimento acelerado da população. A esses desafios soma-se um fator recorrente nas pesquisas de opinião: a eclosão epidêmica da violência. Além de afetar o bem-estar, corrói a imagem internacional do Brasil e encarece o “prêmio de risco” dos investimentos. É também um obstáculo ao desenvolvimento de longo prazo. A (in)sustentabilidade fiscal se expressa pela dívida bruta em torno de 78% do PIB. Cada aumento da Selic amplia o custo do endividamento e reduz espaço para investimentos. Um plano de médio e longo prazo de ajuste fiscal, com metas claras, é indispensável. Se aceito pelo mercado, permitiria “trazer a valor presente” a trajetória de redução da dívida.