O prefeito de Goiânia indicou que pretende enviar à Câmara Municipal um projeto para reduzir de 30 para 10 salários mínimos o teto das chamadas Requisições de Pequeno Valor (RPVs). Apesar de ter retirado a proposta, deixou sinais claros de que insistirá na aprovação da matéria. Se aprovada, dívidas judiciais municipais de até cerca de R$ 16 mil deixarão de ser pagas com prioridade e prazo definido para entrar na fila dos precatórios, agora sem perspectiva concreta de quitação. A medida é apresentada como solução técnica de gestão fiscal. Não é. Trata-se de uma escolha política com impacto direto sobre os pequenos credores do poder público. Goiânia não está sozinha. O Estado de Goiás adotou medida semelhante no ano passado. Anápolis seguiu o mesmo caminho recentemente. O que se vê é um movimento silencioso de estados e municípios para ampliar o prazo de pagamento de dívidas judiciais, empurrando a conta para cidadãos que já aguardaram anos por uma decisão definitiva da Justiça.