A recente representação dos acontecimentos envolvendo o acidente com o césio-137 em Goiânia reacendeu debates não apenas sobre a tragédia em si, mas também sobre a atuação das autoridades públicas à época. Entre os nomes expostos sob uma lente crítica está o do então governador Henrique Santillo. No entanto, é necessário ponderar com rigor histórico e senso de justiça antes de atribuir responsabilidades de forma simplista ou anacrônica. O acidente radiológico ocorrido em 1987 foi, antes de tudo, um evento sem precedentes no Brasil. A ausência de protocolos consolidados para lidar com material radioativo fora de instalações nucleares evidenciou uma lacuna institucional que extrapolava a esfera estadual. Tratava-se de um problema estrutural, envolvendo órgãos federais, falhas na fiscalização, desconhecimento generalizado sobre os riscos do material e, principalmente, a inexistência de áreas para disposição de rejeitos radioativos.