No começo era a política. Aristóteles argumentou que, por viver em sociedade, em cidades-estados, as pólis, o homem é um animal político. Mas como a política muda conforme os tempos e circunstâncias, há que situá-la na história, periodizá-la. Isso é cada vez mais difícil devido às mudanças aceleradas. A mais recente e poderosa tentativa de periodização é de Anton Jäger, historiador belga que leciona em Oxford, publica ensaios nas revistas Jacobin e New Left Review e é editor contribuinte da página de opinião do The New York Times. Detalhe expressivo: tem 32 anos. Ele vem de publicar “Hyperpolitics: Extreme Politicization without Political Consequences” —hiperpolítica, politização extrema sem consequências políticas—, não traduzido para o português. O livro foi lido avidamente, segundo o The Guardian, no Reino Unido, onde, num sintoma de crise política, aboletou-se há pouco em Downing Street o sexto primeiro-ministro em dez anos. No outro lado do Atlântico, o The New York Times disse que o livro traz “um dos melhores e fascinantes esforços para modelar o presente político em toda sua estranheza atordoante”.