O Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta que a dívida pública brasileira chegará a 100% do nosso Produto Interno Bruto (PIB) em 2027. Isso significa que o governo brasileiro deverá, em dois anos, exatamente tudo o que o país inteiro consegue produzir em doze meses. Para comparação, a média mundial só deve atingir esse mesmo patamar em 2029, dois anos depois de nós. A metáfora é direta: imagine que seu salário anual é de R$ 120 mil e suas dívidas chegam ao mesmo valor. Cada centavo que você ganha já nasce comprometido. Não sobra nada para imprevistos, para investir, para crescer. É exatamente essa a trajetória projetada para o Brasil. Quando o governo emite títulos pagando a Selic com risco praticamente zero, ele se torna o tomador de crédito mais atraente do mercado. Para o banco, a escolha é simples: de um lado, o governo, que nunca quebra e paga em dia. Do outro, uma fábrica, com risco real. O dinheiro vai para onde o risco é menor. E sobra pouco, e caro, para quem produz.