Por mais que seja um assunto estarrecedor, não há como não tratá-lo com a devida indignação. A sucessão de casos de suicídio e adoecimento mental ligados ao ambiente de trabalho, no Brasil, revela uma crise silenciosa, profunda e institucionalizada. Tragédias como as de Rafaela Drummond, escrivã da Polícia Civil de Minas Gerais, e Rosângela Crisanto, servidora do Ministério do Trabalho e Emprego no Rio de Janeiro, não podem ser tratadas como episódios isolados ou meramente individuais. Elas representam o estágio mais cruel de um modelo de gestão patogênica, marcado por assédio moral, violência psicológica, isolamento e omissão institucional. Rafaela Drummond, aos 32 anos, deixou relatos e áudios que evidenciavam a pressão psicológica, os insultos e o assédio moral e sexual sofridos dentro da própria instituição que deveria assegurar proteção e legalidade.