A pesquisa Datafolha realizada em 17 e 18 de junho com 2004 eleitores de 16 anos ou mais, em 139 municípios, e divulgada no fim do mês anterior, deveria doer na esquerda brasileira de um jeito muito específico. Não porque ela perdeu a batalha econômica, não perdeu. As posições associadas à esquerda seguem majoritárias no eixo econômico, 46% contra 28% da direita. O problema é outro, mais incômodo: ela perdeu a batalha dos costumes, e é essa derrota que está arrastando consigo um eleitor que, na prática, concorda com ela em quase tudo que importa no bolso. O dado mais revelador nem é o placar geral. É que 44% do eleitorado do senador Flávio Bolsonaro concorda que a pobreza vem da falta de oportunidade, não da preguiça de quem não quer trabalhar. Esse eleitor já pensa como a esquerda pensa. Ele não foi convertido ao liberalismo econômico. Ele foi afastado por outra coisa: pela forma como a esquerda fala com ele.