Se a palavra de ordem de Donald Trump é “reciprocidade”, ele deveria diminuir, não aumentar as tarifas para Brasil, Austrália e Reino Unido, com os quais os Estados Unidos têm seus maiores superávits comerciais do mundo. Portanto, não é justo e “não reflete a realidade”, como diz a nota brasileira, impor uma tarifa linear de 10% a mais para produtos brasileiros e dos dois outros países, sob a alegação de restabelecer equilíbrio e reciprocidade. Com a expectativa e o temor de uma taxa ainda maior, os 10% foram recebidos com um misto de alívio e disposição de briga, ou melhor, de negociar condições melhores. O chanceler Mauro Vieira conversou com o representante comercial Jamieson Greer antes do anúncio de Trump e vai conversar novamente na próxima semana, agregando status e densidade política às negociações técnicas.