Desde as primeiras imagens das enchentes no Rio Grande do Sul, lembro-me do ensaio de Susan Sontag, “Diante da dor dos outros”. Publicado em 2003, Sotang explora como a guerra e o sofrimento humano são representados na mídia e nas artes visuais, e como essas representações afetam a percepção pública. A autora questiona a eficácia das imagens, investigando se elas realmente sensibilizam o espectador. Pelo que temos testemunhado, o Brasil se mobilizou e sensibilizou com o povo gaúcho diante das imagens e depoimentos desoladores da população afetada pela catástrofe ambiental. No entanto, essas imagens não apenas nos posicionam diante das dores alheias, mas também nos fazem refletir sobre nossas próprias ações e responsabilidades nas catástrofes que ocorrem em outros lugares. Para reforçar essa reflexão, voltemo-nos à guerra em Gaza. Além das preocupações com a economia e a reconstrução da vida da população de Gaza e Israel, surge outra questão: com mais de 50% do território de Gaza devastado, gerou-se aproximadamente 30 milhões de toneladas de destroços. As imagens mostram ruas cheias de lixo, formando montanhas de resíduos que ameaçam a saúde pública e agravam a crise humanitária. A mensagem é clara: a guerra destrói vidas e o meio ambiente.