A discussão sobre o fim da escala de trabalho 6x1, recentemente instada na agenda pública nacional, recoloca no centro do debate uma questão que muitas vezes permanece invisibilizada: o direito ao tempo. Não se trata apenas de repouso entre jornadas de trabalho, mas de tempo livre efetivo para experienciar atividades culturais, de lazer e convivência familiar. Trata-se de um tema que atravessa diretamente o campo dos direitos culturais. Em que pese a dimensão também reconhecida constitucionalmente do repouso enquanto direito social, o direito ao descanso também protege a saúde física e mental, além de viabilizar laços de pertencimento, de fraternidade, além da espiritualidade. O direito ao repouso promove também a igualdade e o acesso real ao direito cultural. Para alguns, especialmente os que atuam nos bastidores, o meio cultural é um espaço de trabalho permeado de condições insalubres. Baixa remuneração, pouco reconhecimento e mesmo, jornadas extenuantes. Em tais situações, o exercício da criatividade cultural se precariza.