Não bastasse a nefasta polarização ideológica entre partidos e os sofisticados métodos de falsear a verdade — fake news e deepfakes — há uma ameaça mais profunda que paira sobre as eleições gerais no Brasil: a crescente capacidade do crime organizado de influenciar, financiar e controlar o processo eleitoral. Facções criminosas avançam sobre a política. Cobram “pedágios” de candidatos que desejam fazer campanha em determinadas áreas, financiam representantes e utilizam nomes “limpos” como fachada para obterem acesso a recursos públicos e influência sobre a segurança. No limite, estamos a viver a construção de um poder paralelo legalizado pelas próprias urnas. Investigações em diferentes estados revelam um padrão, no qual a coação pode ser sutil — a indicação de um “candidato da comunidade” — ou explícita — restrição de circulação de adversários. Em casos extremos, até drogas já foram usadas como moeda de troca por votos.