A palavra “empatia” tem origem no termo grego empatheia, resultante da junção de “em” + patheia (paixão), significando, literalmente, “sentir por dentro” ou “sentir com o outro”. Trata-se da capacidade de se colocar no lugar de outra pessoa, de perceber o mundo a partir de sua perspectiva, como se estivéssemos vivenciando a mesma experiência. Não é apenas um exercício intelectual, mas uma disposição sensível que exige abertura, escuta e reconhecimento. O filósofo britânico David Hume, no século XVIII, afirmava que “a beleza das coisas existe no espírito de quem as contempla”. Essa reflexão sugere que perceber o valor do outro, seja uma pessoa, um ser vivo ou um elemento da natureza, depende da disposição de olhar com mais atenção e sensibilidade. No entanto, em um contexto marcado por relações desgastadas, pela pressa cotidiana e pela centralidade dos interesses individuais, a empatia tende a se esvaziar. Quando o olhar se volta exclusivamente para si e as ações se orientam apenas pelo benefício próprio, reduz-se drasticamente a possibilidade de conexão genuína com o outro.