O avanço contínuo do endividamento das famílias em 2026 merece atenção redobrada da sociedade e dos órgãos de controle. Em Goiás, o cenário reflete essa pressão: 75,8% das famílias estavam endividadas em março, segundo a Peic, da CNC, sendo que 38,6% possuíam contas em atraso. No panorama nacional, o índice geral chegou a 80,4% no início do ano e avançou para 81,6% em maio. É fundamental separar a alavancagem financeira saudável do sufocamento. Ter dívidas não significa, por si só, estar em insolvência ou dificuldade. Financiamentos habitacionais, parcelamentos planejados e empréstimos estratégicos são ferramentas comuns. A linha vermelha é cruzada quando as obrigações deixam de caber no orçamento real e uma nova dívida precisa ser contratada apenas para cobrir a anterior. O cartão de crédito destaca-se como o grande protagonista dessa inadimplência. Em maio, ele estava presente em 84,6% das famílias brasileiras endividadas. Quando a fatura não é quitada de forma integral, os juros do rotativo transformam um desequilíbrio pontual em um problema duradouro e quase insolúvel.