Quando o Estado mede um curso de medicina, ele não está medindo apenas uma instituição: está medindo um pacto social. Porque medicina não é um diploma — é uma licença moral para tocar a vida alheia. Por isso, resultados como os do Enamed 2025 não podem ser lidos como “ranking” ou manchete de ocasião. Eles são um aviso de saúde pública. O Enamed avaliou 351 cursos; no recorte do Sistema Federal de Ensino (304 cursos), 204 alcançaram conceitos 3 a 5, mas 99 ficaram nas faixas 1 e 2, com menos de 60% de concluintes com desempenho considerado adequado. Em Goiás, 62,5% dos cursos avaliados ficaram com notas 1 e 2. Esses números não são abstratos: eles se traduzem em consultas onde o raciocínio clínico falha, em sinais de gravidade não reconhecidos, em antibióticos mal indicados, em “não era nada” que vira UTI. O risco não é teórico — é cotidiano.