Jeffrey Epstein é um caso didático de psicopatia — transtorno de personalidade caracterizado por um conjunto específico de traços: encanto superficial, imponência, necessidade de estimulação, manipulação e ausência de remorso ou empatia. Ele personificava cada um desses elementos com uma precisão assustadora. Era um arquiteto eficiente de influências. Sem um diploma universitário, usou sua inteligência e carisma para se infiltrar nos círculos mais exclusivos da sociedade, administrando fortunas de bilionários e posando como um filantropo visionário. Por trás dessa fachada, no entanto, orquestrou uma das maiores redes de tráfico sexual de menores da história dos EUA, operando por décadas em suas mansões em Nova York, Palm Beach e na sua ilha particular no Caribe, Little St. James. A sedução era sua estratégia basal. Ele não atraía apenas meninas vulneráveis; cativava presidentes, príncipes, intelectuais e magnatas. Como observou a historiadora Nicole Hemmer, da Universidade Vanderbilt, as pessoas ainda se chocam com “a extensão da cumplicidade da elite em seu mundo”.