Em Paris, no palco da VivaTech, Jeff Bezos lançou uma provocação que desafia o atual consenso catastrófico sobre a inteligência artificial (IA). Enquanto metade dos americanos teme perder o emprego para as máquinas, segundo dados recentes da pesquisa Reuters/Ipsos, o fundador da Amazon afirmou categoricamente: a inteligência artificial não tornará os seres humanos dispensáveis; pelo contrário, tende a criar uma escassez de mão de obra no longo prazo. À primeira vista, a tese soa desconectada da realidade imediata de muitos setores. Afinal, a própria Amazon reduziu cerca de 30 mil cargos corporativos no último ano, parte deles atribuída diretamente aos ganhos de eficiência obtidos com a automação. Há uma tensão honesta e dolorosa no presente: o deslocamento real de funções administrativas e operacionais é um fato incontestável.