Ainda bem que o tempo existe, senão tudo aconteceria de uma vez só. Seria um deus nos acuda, não daria para ficar na maciota. Palmas para o tempo, pois. Outra coisa boa da conexão de passado, presente e futuro é “Sobre o Cálculo do Volume”, romance de sete volumes em que o tempo enguiça e, insondável, empaca num dia de outono. Sua protagonista é Tara Selter, comerciante de livros antigos que mora no norte da França com o marido, Thomas. Num 18 de novembro, viaja a Paris. Vai a um leilão, a sebos e antiquários, visita o amigo Philip e dorme num hotel. Desce para o café no dia seguinte e percebe horrorizada que não é o dia seguinte, mas 18 de novembro de novo. Está encarcerada no tempo. Quatro meses depois começa um diário: “Todas as noites, quando deito para dormir, é dia 18 de novembro, e todas as manhãs, quando acordo, é dia 18 de novembro. Não espero mais acordar no dia 19 de novembro, e já não lembro mais do 17 de novembro como se fosse ontem”. Tara entrou no looping do eterno retorno.