A fibromialgia finalmente ganhou espaço no horário nobre. Ver uma novela abordar uma doença que, por tantos anos, foi cercada de preconceitos e incompreensão representa um avanço importante. Quando milhões de pessoas passam a ouvir sobre um tema ainda pouco conhecido, abre-se uma oportunidade para reduzir estigmas, favorecer o diagnóstico precoce e ampliar o debate sobre o tratamento. Mas existe uma parte dessa história que a ficção ainda não consegue contar. Na prática clínica, a fibromialgia vai muito além da dor. Ao longo dos anos, acompanhando pacientes no consultório, percebi que eles raramente procuram atendimento apenas porque sentem dor. Chegam após perder autonomia, abandonar o trabalho, reduzir o convívio social ou deixar de realizar atividades simples do dia a dia. Muitos convivem com fadiga intensa, sono não reparador e alterações cognitivas, conhecidas como “nevoeiro mental”, que comprometem memória, atenção e concentração. Em diversos casos, esses sintomas provocam mais limitações do que a própria dor.