A economia brasileira não caminha para uma ruptura imediata. O problema talvez seja mais grave: o país está se habituando a crescer pouco, a conviver com inflação persistente, a pagar juros altíssimos e a ver a dívida subir ano após ano. Há uma contradição no coração da política econômica: o governo amplia gastos e estimula a demanda, enquanto o Banco Central segura a Selic no alto para conter a inflação que essa demanda produz. A IFI, do Senado, estima que a economia já opera quase 1% acima da capacidade: o motor esquentando. No meio, empresas e famílias pagam a conta em crédito caro e investimento adiado. Não é opinião isolada. FMI, IFI, FGV, Tesouro e Banco Central, com métodos distintos, chegam ao mesmo lugar: dívida crescente, déficit resistente e crescimento perto de 2% ao ano até o fim da década. Até o FMI, o mais otimista do grupo, pede um esforço fiscal mais ambicioso para pôr a dívida em queda.