O acalorado debate sobre o corte dos chamados “penduricalhos” recoloca em pauta a prometida reforma do Estado. A última reforma do estado brasileiro, conduzida ainda no governo Fernando Henrique Cardoso, nos anos 1990, representou uma inflexão relevante. O Brasil deixou de apostar exclusivamente no Estado executor, fortaleceu o papel regulador, abriu espaço para privatizações e introduziu o modelo de gestão por resultados. Foi uma mudança profunda, mas incompleta. Desde então, o foco do debate mudou. A discussão atual é o custo do Estado, que pesa no bolso do cidadão, diante de uma carga tributária das mais altas do mundo. A sociedade não aceita mais o aumento de impostos e quer o corte de gastos do governo, que se mostra insensível a essa demanda e continua ampliando, de forma exagerada e abusiva, as despesas públicas.