A recente inclusão de facções brasileiras na lista de organizações terroristas pelos Estados Unidos não é um mero gesto de política externa. É um diagnóstico geopolítico: o crime organizado transnacional tornou-se um ator sistêmico, capaz de desestabilizar Estados e distorcer mercados. Assim, Washington sinaliza que a desordem/terror no contorno do continente é uma questão de segurança nacional americana — o que, para o Brasil, traduz-se em risco explícito à soberania e ao princípio da não intervenção. Internamente, o fenômeno transcende a esfera criminal. A doutrina penal-econômica contemporânea, como temos alertado, ensina que o crime organizado não atua mais às margens do Estado, mas disputa com ele a regulação de territórios e a oferta de serviços essenciais. Instaura-se um poder que corrompe agentes públicos, controla cadeias produtivas diversas e financia campanhas, configurando o que a Ciência Política denomina state capture — a captura do aparato estatal por interesses privados e ilícitos.