Quem atravessou a crise de 1979 ainda guarda a memória das filas nos postos, do racionamento e do medo de que um conflito no Oriente Médio pudesse travar a economia mundial. Essa crise foi devastadora para o Brasil, pois o país importava cerca de 80% do petróleo que consumia, mas o Brasil reagiu com a intensificação do Proálcool (Programa Nacional do Álcool). Em março de 2026, a escalada militar entre Estados Unidos, Israel e Irã devolve esse fantasma ao noticiário. A dúvida é outra. O mundo de hoje reagirá a um novo choque do petróleo da mesma forma que reagiu quase meio século atrás? No caso brasileiro, houve mudanças. O país avançou em eficiência energética, renováveis e tecnologia automotiva. Mesmo assim, a estrutura de consumo ainda depende muito de gasolina e óleo diesel. Também pesa a dependência externa de insumos ligados ao agronegócio, com destaque para fertilizantes.