A guerra não é um acidente histórico nem um impulso incontrolável da humanidade. Ela é, quase sempre, uma escolha. Uma escolha feita por poucos homens sentados em gabinetes protegidos, longe do barulho das bombas, do cheiro da pólvora e do desespero dos civis. Enquanto discursos inflamados falam em honra, pátria e segurança, quem morre são jovens anônimos e populações inteiras que jamais foram consultadas sobre o conflito que passará a definir suas vidas. Vende-se a guerra como necessidade, quando na verdade ela costuma ser conveniência. Conveniência política, econômica, geográfica, religiosa, estratégica, ou ainda, motivações interétnicas, ideológicas ou tecnológicas. O inimigo é construído, o medo é alimentado e a narrativa da ameaça iminente legitima o inaceitável. Nesse teatro cuidadosamente encenado, vidas humanas são mutiladas, e a morte passa a ser apenas um custo operacional.