Menos de dois meses depois de estrear, a “Odisseia” já arrecadou US$ 1,5 bilhão nas bilheterias do mundo. Com três horas de duração, tornou-se o filme para maiores de 17 anos —no Brasil, 14– mais visto na história do cinema. Custou US$ 250 milhões e, prevê-se, irá faturar US$ 2 bilhões. O filme é um fenômeno pop. Apoia-se em efeitos especiais de ponta, dramaturgia retumbante, elenco de deidades hollywoodianas, marketing da indústria cultural. Embora seja um produto para o mercado global, não se resume a comércio puro e duro. Sua gênese está num poema de 3.000 anos, feito numa língua morta, desconhecida dos mortais. Mas conhecida por Emily Wilson, classicista inglesa de 54 anos, professora da Universidade da Pensilvânia e primeira mulher a transpor a “Odisseia” para o inglês. O diretor Christopher Nolan disse que o primeiro verso da tradução —”fale-me sobre um homem complicado, musa”— lhe serviu de inspiração.