A sátira sempre ocupou espaço legítimo no debate político. Humor, ironia e exagero ajudam a questionar discursos e expor contradições. Nas eleições de 2026, porém, essa liberdade encontra um desafio novo: a inteligência artificial (IA) tornou possível criar imagens, vozes e situações falsas com realismo capaz de confundir o eleitor. A questão agora é: até onde é legítimo fabricar uma realidade para fazer crítica política? Uma charge tradicional deixa evidente o exagero. Uma caricatura não pretende convencer ninguém de que aquela cena aconteceu. Com a IA, a lógica muda. É possível colocar uma pessoa em um ambiente no qual nunca esteve, atribuir a ela uma frase que jamais pronunciou ou reproduzir sua voz de forma convincente. A fronteira entre humor e desinformação se estreita. A Resolução nº 23.610/2019 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), atualizada para as eleições deste ano, estabelece regras específicas para conteúdos sintéticos por inteligência artificial. Entre elas estão deveres de identificação e transparência e a proibição de deepfakes na propaganda eleitoral.