O retorno do Mundial de Motovelocidade (MotoGP) a Goiânia em 2026, após quase quatro décadas, não foi apenas um marco para os entusiastas do esporte a motor, foi, fundamentalmente, um “teste de estresse” para a maturidade urbana. Este evento é a materialização de um paradigma defendido por quem dedica a vida a pensar o território e os fluxos: a priorização do transporte coletivo não é uma escolha ideológica, mas um imperativo de engenharia e sobrevivência urbana. É preciso salientar que sediar esta etapa do mundial, com transmissão para mais de 200 países, exigiu muito mais do que um asfalto de alto desempenho — que precisou de ajustes críticos durante a prova. Exigiu também governança metropolitana para mover quase 150 mil pessoas em um curto espaço de tempo sem colapsar a cidade. A tese é clara: a escala do MotoGP tornou o modelo de deslocamento individual obsoleto, porque levar esse público ao Autódromo Internacional Ayrton Senna em carros particulares seria como tentar forçar o fluxo de um oceano pelo gargalo de uma garrafa.