A eliminação do aiatolá Ali Khamenei durante um bombardeio coordenado pela inteligência e forças armadas de Estados Unidos e Israel decapitou a “cabeça do polvo”, como a narrativa israelense batizou o Irã, considerado por Tel-Aviv o grande financiador e mentor de grupos armados como o Hamas e o Hezbollah. Desconsiderando as questões jurídicas como a legitimidade no direito internacional do ataque militar que eliminou o líder da teocracia iraniana ou do governo repressivo dos aiatolás de comandar sua nação de forma autoritária diante de protestos populares e focando nos desdobramentos políticos, fica a questão: quem vai comandar o Irã e quais serão as repercussões? Como de costume nos regimes autoritários em que uma cúpula controla o poder designando um mandatário para ocupar a liderança, os aiatolás possuem uma estrutura sucessória previamente organizada que sofreu duros golpes durante os ataques do ano passado, mas que continua operacional apesar das perdas. E temos o fato de a cadeira de líder já ter sido ocupada por Mojtaba Khamenei, filho do antecessor e um dos clérigos mais atuantes nos bastidores políticos iranianos.