A percepção de uma “lei frouxa” e de uma “justiça torcida” reflete o sentimento de impunidade e de parcialidade institucional compartilhado por grande parte dos cidadãos. Esse fenômeno corrói a confiança pública e afeta diretamente a coesão social. O profeta Habacuque há 600 anos a.C escreveu: “Diante da maldade no mundo, a lei perde a força e a justiça não vence, pois os maus cercam e prejudicam os bons, tornando o julgamento distorcido.” O profeta viveu num tempo de crise moral e social em Judá. Diante da violência, da corrupção e da impunidade, ele clama a Deus: “Até quando, Senhor, clamarei e tu não ouvirás?” A resposta: “Por esta causa, a lei se afrouxa, e a justiça nunca se manifesta, porque o perverso cerca o justo; a justiça é torcida”. É assustadoramente atual . Leis existem, mas não são aplicadas; o certo não vence; o mal pressiona; e a justiça é distorcida. A lei se afrouxa. Ter lei não é sinônimo de ter justiça. O problema é a aplicação. Autoridades parciais, suborno, acordos por debaixo dos panos e a lei se afrouxa como uma corda que perde a tensão.