O debate sobre a jornada de trabalho no Brasil tem sido conduzido, muitas vezes, de forma simplificada: 6x1, 5x2 ou 4x3. A discussão, porém, não deveria se limitar a modelos fixos impostos de maneira uniforme, como se todos os setores da economia compartilhassem a mesma dinâmica operacional. Em um país de dimensões continentais, com realidades regionais distintas e com cadeias produtivas complexas, engessar a organização do trabalho pode gerar efeitos contrários aos pretendidos e comprometer a geração de empregos formais. A sociedade evoluiu. O trabalhador contemporâneo valoriza autonomia, previsibilidade de renda e qualidade de vida, mas também deseja liberdade de escolha. A possibilidade de negociar diretamente com o empregador o regime mais adequado à sua realidade — seja em carga horária, escala ou modelo de remuneração — tornou-se diferencial estratégico na atração e retenção de talentos.