O que é a vida antes de se tornar concreta, palpável, abraçável? É o gesto de sonhar um projeto, o início de uma ideia de família. É o nome escolhido com carinho, a primeira roupinha comprada, a madrinha honrada com sua nova função, os registros da espera por quem se planejou tanto. É o chá de fraldas, as expectativas, a história que vai se formando nos corações de quem espera. Mas quando esse sonho se encerra precocemente — como um despertar no meio da madrugada — o vazio toma conta, silenciosamente, das famílias enlutadas. As emoções diante dessa perda, tão profunda e solitária, contrastam radicalmente com o planejamento da chegada de um bebê. É um luto que nossa sociedade ainda trata com silêncio e despreparo. É como diz a música de Chico Buarque: “A saudade é o revés do parto, saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu.”