Em um cenário de intensa movimentação política, marcado pela multiplicação de pré-candidaturas e pela antecipação da disputa eleitoral, um fenômeno se repete com impressionante frequência: discute-se muito os nomes dos candidatos e nada de suas propostas. A política brasileira parece cada vez mais capturada pela lógica da personalização, em que figuras públicas, estratégias eleitorais, alianças partidárias e pesquisas de intenção de voto ocupam o centro das atenções, enquanto os projetos concretos para o país e para os estados permanecem em segundo plano. A cada novo ciclo eleitoral, os partidos passam meses debatendo quem será candidato, quem apoiará quem, quais lideranças possuem maior viabilidade ou rejeição, quais alianças serão formadas e quais disputas internas movimentam os bastidores. Entretanto, raramente se observa o mesmo entusiasmo em relação às perguntas mais importantes: quais são os projetos para a economia? Como enfrentar os desafios ambientais? O que fazer com a segurança pública, a saúde, a educação e a desigualdade social? Qual modelo de desenvolvimento está sendo defendido?