Quem nasce rico tem quase sete vezes mais chance de permanecer rico do que um pobre tem de enriquecer. O dado é da nova edição do Atlas da Mobilidade Social, divulgada no dia 31 de julho de 2026, pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social em parceria com o Prospera Lab. Entre os filhos dos 25% mais ricos, mais da metade permanece nesse patamar quando adulta, e quase um terço chega ao seleto grupo dos 10% mais ricos do país. Do outro lado, apenas 8,3% dos filhos dos 25% mais pobres conseguem subir de faixa e uma fração ainda menor, 1,3%, alcança o topo. Há municípios onde mais de 80% dos filhos de famílias pobres seguem pobres: retrato de castas disfarçado de sociedade de mérito. Esse dado conversa com décadas de pesquisa do economista James Heckman, Nobel de 2000 e nome da Universidade de Chicago, dificilmente suspeito de simpatias de esquerda. Heckman demonstrou que boa parte do “talento” adulto resulta de investimento recebido na primeira infância: estímulo cognitivo, ambiente familiar, saúde. Famílias pobres não conseguem “apostar” no futuro dos filhos como famílias ricas apostam, e essa desvantagem inicial nenhum esforço individual compensa plenamente depois. Não é falta de mérito da criança, é ausência de oportunidade de desenvolvê-lo.