O planejamento urbano, historicamente, tende a tratar o deslocamento como uma variável neutra. No entanto, a realidade das ruas e dos sistemas de transporte revela que o gênero é um fator determinante na forma como as pessoas acessam a cidade. Por essa razão, no mês em que celebramos o Dia Internacional da Mulher, é urgente debater como a infraestrutura de transporte público impacta a vida de quem compõe a maioria de seus usuários: as mulheres. Em relação ao padrão de deslocamento pendular masculino (casa-trabalho), as mulheres realizam trajetos mais complexos, conhecidos como “viagens em corrente”, o que implica em paradas intermediárias para deixar crianças na escola, realizar compras ou prestar assistência a familiares. Como são elas as principais responsáveis pelas tarefas de cuidado, essa necessidade de múltiplos deslocamentos, somada a esperas em pontos muitas vezes precários, gera a chamada “pobreza de tempo”, subtraindo horas preciosas que poderiam ser dedicadas ao lazer, estudo ou descanso.