A presença feminina em cargos públicos e políticos representa uma conquista democrática relevante, fruto de décadas de mobilização social e avanços institucionais em prol da igualdade de gênero. Mais do que um indicador de representatividade, a participação das mulheres nos espaços de poder contribui para decisões mais diversas e inclusivas, sensíveis à complexidade social e capazes de incorporar diferentes visões e experiências na formulação das políticas públicas. Entretanto, a ampliação da presença feminina nas estruturas institucionais tem sido acompanhada por uma reação igualmente intensa: a violência política e institucional dirigida especificamente contra mulheres que exercem funções públicas ou políticas. Diferentemente das críticas legítimas que integram o debate democrático, essa forma de violência ocorre por meio de ataques à honra, à reputação e à imagem das mulheres, frequentemente baseados em estereótipos de gênero. Insinuações sobre a vida privada, a maternidade, falas misóginas sobre a sua capacidade e depreciativas sobre sua aparência, tentativas de diminuição em relação aos homens e campanhas de difamação são estratégias recorrentes e buscam desqualificar a legitimidade da mulher para ocupar o espaço público.