Foi um tempo difícil para a cultura no Brasil. Sob os anos Bolsonaro o Ministério da Cultura foi extinto e substituído por uma secretaria títere dirigida seguidamente por figuras controversas e por outras sem qualquer afinidade com a cultura. Como representação acabada desta época basta-nos a lembrança do dramaturgo Roberto Alvim, então o todo poderoso do setor, forçado à demissão a contragosto por seu chefe depois de ter plagiado o nazista Joseph Goebbels em um comunicado que pretendia externar os planos de sua secretaria. Foi um tempo em que os artistas e produtores culturais eram considerados de forma simplória como obrigatoriamente filiados a algum partido da oposição ou, genericamente, como “comunistas”. Fato é que, sob a extrema direita (2019-2022), o orçamento anual da cultura chegou a cair para R$ 1.77 bilhão, seja, 60% a menos que sob o mandato da esquerda de Dilma Rousseff (2011-2016).