A sociedade brasileira tem acompanhado, com uma frequência alarmante, massacres sistematizados contra jovens negros e periféricos em diversas regiões do país. O que muitas vezes é vendido como “eficiência policial” esconde um conceito desenvolvido pelo filósofo camaronês Achille Mbembe: a necropolítica. Mas o que é necropolítica, afinal? Trata-se da prerrogativa de governantes e grupos de poder de “ditar quem pode viver e quem deve morrer”. Embora o termo nos remeta imediatamente a ditaduras, a necropolítica opera de forma cruel e televisionada dentro de Estados Democráticos de Direito, transformando a morte em uma ferramenta de política de segurança pública e eficiência governamental. Recentemente, o Massacre da Penha, no Rio de Janeiro, expôs como jovens negros e moradores de favelas são sumariamente julgados como “menos humanos” por parte da gestão pública, da polícia, da mídia e da sociedade. Em Goiás, o cenário não foi diferente: a partir de 2019, o estado vivenciou execuções sumárias em que jovens negros periféricos tiveram suas vidas ceifadas pelo poder estatal. Entre as vítimas, havia crianças e estudantes, meninos trabalhadores, sem qualquer histórico criminal.