Vivemos uma época em que os celulares são extensões mecânicas e psicológicas de nossas mãos, uma vez que o fenômeno da dependência tecnológica está visceralmente instalado na contemporaneidade. Séculos de conhecimentos acumulados pela humanidade produziram a tecnologia diversificada de que dispomos atualmente, mas paradoxalmente o ser humano se vê como prisioneiro de sua própria criação. A razão criou artefatos cujas racionalidades, determinadas por algoritmos e pela IA (Inteligência Artificial), controlam a existência do indivíduo. Paul Valéry, no prefácio da magnífica obra Modernidade Líquida, do sociólogo e filósofo polonês Zygmunt Bauman, lança luzes sobre a questão através dos seguintes dizeres: “nossas mentes são alimentadas por mudanças repentinas e estímulos constantemente renovados... Não podemos mais tolerar o que dura. Não sabemos mais fazer com que o tédio dê frutos.”