Enquanto o Brasil celebra quedas pontuais nos índices de homicídios — o que de certa forma, materializa-se sob o controle das próprias facções —, um custo imperceptível e devastador sangra a economia nacional. As grandes organizações criminosas e a corrupção associada à lavagem de dinheiro impõem ao país um prejuízo anual estimado em R$ 1,5 trilhão (15% do PIB), de acordo com estimativas consolidadas. É como se uma economia do tamanho de Portugal fosse simplesmente apagada do mapa todos os anos. Segundo análise do Fórum Nacional Contra a Pirataria e Ilegalidade (FNCP), só o mercado ilegal (sonegação, contrabando, descaminho, pirataria e falsificação) gerou prejuízos de R$ 473 bilhões em 2025. A lavagem de dinheiro, por sua vez, movimenta cerca de R$ 300 bilhões anualmente, segundo estimativas do Coaf e da Polícia Federal. Quando se somam os custos da violência — perda de produtividade, gastos com segurança privada, saúde e justiça —, o impacto total se aproxima de 11% do PIB, conforme estudos do Ipea e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.