Há uma pergunta que o Brasil ainda não parou para fazer. Para onde está indo o dinheiro que desapareceu do consumo? O País está discutindo juros, inflação e inadimplência, mas talvez esteja subestimando um dos fenômenos que mais têm agredido o orçamento das famílias: as apostas on-line. Durante anos, foi difundido a ideia que o comércio vendia menos quando os juros subiam, quando a inflação aumentava ou quando o desemprego crescia. Mas a realidade hoje é outra. Milhões de brasileiros continuam empregados. Muitos tiveram aumento de renda. Ainda assim, diversos setores do varejo registram desaceleração. Uma parte dessa resposta pode estar em um lugar para onde poucos economistas olhavam até pouco tempo: as plataformas de apostas on-line. As chamadas bets deixaram de ser entretenimento pontual. Viraram uma engrenagem de captura de renda em escala nacional. Segundo levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e do Serviço de Proteção ao Crédito, cerca de 40 milhões de consumidores pagaram ao menos uma aposta on-line no último ano. Todos os dias, bilhões de reais deixam de circular na economia real, na indústria, no comércio e na prestação de serviços, migrando para a tela de um celular.