Ao se encontrar com Liev Tolstói e Anton Tchékhov pela primeira vez, Máximo Gorki tinha 31 anos. O decano da trinca era o autor de “Guerra e Paz”, com 71; o de “Tio Vânia” estava com 40. Eram os escritores russos mais lidos e admirados na época, a virada do século 19 para o 20. A literatura russa vinha de sair do nada direto para o cânone europeu, que, com a “Odisseia”, remonta ao século 8º a.C. Na esteira de seu patriarca, Púchkin, morto em 1837, vieram Dostoiévski, Gógol, Turguêniev e, agora, os três grandes que papeavam na Crimeia. Tal erupção de alta literatura não tem paralelo. Só nas artes plásticas da Itália, na segunda metade do século 15, houve um vulcão análogo: o surgimento da pintura de Leonardo, Michelangelo e Rafael. Há quase um século, Virginia Woolf e o marido, Leonard, publicaram na sua editora, a Hogarth Press, “Reminiscences of Tolstoy, Chekhov and Andreyev”, de Gorki. Com o título “Três Russos: E como Me Tornei um Escritor”, foi publicado no Brasil há 20 anos pela Martins Fontes.